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“O bolo sente”: O que acontece quando perdemos a conexão com a cozinha?

Olá, docinhos!

Eu não sei no que você acredita, mas eu sou confeiteira há 15 anos e, desde o começo, sempre levei comigo a ideia de que a gente passa para a comida aquilo que carrega dentro da gente. Que cozinha é conexão!

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“O bolo sente.”

É o que sempre ouvimos das avós das avós das nossas avós, desde que os bolos foram inventados, não é mesmo? E apesar de parecer só uma crença antiga ou até mesmo romântica demais, isso sempre fez sentido pra mim. E é por isso que eu sempre cuidei da minha cozinha com o respeito que ela merece.

Se “você passa para a comida que você está fazendo aquilo que você tem dentro de você” e que “o bolo sente” quando você está bem e quando você não está, então ficaria de fora da minha cozinha tudo o que pudesse atrapalhar os meus puros e inocentes bolinhos, eu sempre pensei “aqui não! Da porta pra fora eu me resolvo com os meus problemas, mas a minha cozinha é sagrada”.

Mas, claro… somos humanos. E nem sempre a vida colabora.

Então nem sempre isso sai tão bem assim e vez ou outra eu acabava entrando no ateliê xôxa, capenga… e adivinha? Geralmente o bolo ficava tão pra baixo quanto eu. Se eu estivesse com raiva ou brava, provavelmente eu teria um bolo transbordando da forma ou queimado. Era quase sempre uma sentença para as minhas receitas.

Com o tempo, fui aprendendo a controlar essas emoções. Me tornei mais técnica, mais profissional, mais “madura”. Fiquei mais confiante do que eu estava fazendo. E aí, a gente acha que está tudo bem. Que dá pra cozinhar no automático. Certo?

Errado! Recentemente, essa história do “bolo sentir” voltou a fazer eco dentro de mim.

Eu, confeiteira há 15 anos, formada em gastronomia, com mais de 20 anos praticamente morando dentro de uma cozinha, professora de confeitaria, simplesmente não consigo fazer um simples bolo caseiro dar certo e nas últimas semanas foram vários bolos desandados. Quebrados. Queimados.

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Eu me frustrei? Sim.
Quis culpar o forno, os ingredientes, Mercúrio, os astros ou a Lua? Também.
Mas no fundo, eu sei que o problema é outro.

Eu me desconectei.

Me desconectei da cozinha, da confeitaria, daquilo que me fazia vibrar quando misturava farinha com açúcar e ovos. Entrei no modo automático. Parei de cozinhar com prazer, com tempo, com alma. E passei a só… cozinhar. Produzir. Postar. Repetir.

A criação de conteúdo as vezes faz isso, sabe? Ficamos escravos do algoritmo e das viralizações, esquecemos que atrás de um perfil nas redes sociais também existe alguém produzindo tudo aquilo. Criando, planejando, executando e muitas vezes… se perdendo no caminho.

E olha, eu adoraria te dizer que esse texto tem uma grande lição no final. Que eu descobri a chave mágica pra me reconectar com a cozinha, e que tudo voltou a ficar lindo, leve e doce.

Mas a verdade é que eu ainda estou procurando esse caminho.

Eu amo criar conteúdo para o Youtube e para o Instagram, e poder fazer isso com base na coisa que eu mais amo no mundo é um privilégio que eu valorizo muito, mas talvez eu precise voltar um pouco da estrada e pegar um caminho diferente.

Eu passei tempo demais me preocupando com o algoritmo, com o que vende, com o que dá visualização, com o que vai viralizar, com o que as pessoas querem ver, com o que agrada ou não. E no meio disso tudo, eu esqueci da parte mais importante: eu e a minha cozinha.

Porque no fim, é isso que move tudo. O meu “criar conteúdo” deveria ser sobre isso.
É nela que sempre me encontrei.
E agora eu estou aqui tentando achar o caminho de volta para casa.

Se você também está se sentindo assim, saiba que não está sozinha. Às vezes, até os bolos mais bonitos desmoronam um pouquinho. Mas sempre dá tempo de acender o forno de novo.

Um beijo e até a próxima!

Quer me acompanhar nessa nova série da minha vida? Acompanhe meu diário de reconexão com a cozinha na playlist “Refornar“.

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